terça-feira, 18 de novembro de 2014

It's the climb

O mundo dava sempre voltas e parava no mesmo lugar para os dois. Ou talvez nem rodasse tanto, continuasse sempre no mesmo lugar (e eles é que não percebessem). 

Isso não vinha mais ao caso.

O importante de tudo é que estavam sempre juntos, as vezes como namorados, as vezes como amantes e sempre como amigos. Esse era o grande barato desses últimos anos.

Brigavam. E como brigavam! Um queria comandar a vida do outro mais do que podiam. Como é sempre de se esperar, a Menina, naturalmente mais amadurecida,  teimava em brigar com esse menino. Seus óculos vermelhos vez ou outra soltavam fumaças. E a cada briga a jura de que “dessa vez é sério e pra sempre”. A jura durava menos de meio dia.

Uma única vez, faz mais de um ano, numa dessas incansáveis brigas por nada e pra nada, a Menina teve a certeza do quão sério tinha sido e soube que nunca mais seriam os mesmos um com o outro. Passaram mais de 12 horas sem um apito se quer no celular. O dele também não apitara. Ela não queria dar o braço a torcer, afinal nunca estava errada.

Até que em sua bolsa vibrou uma nova mensagem. As batidas doloridas e certas dentro do seu peito davam o recado. Era ele... e ele – já conhecendo a sua Menina – fingia que nada tinha acontecido, levantando a mão com uma vareta e um pedaço de pano branco encardido na ponta.

E viviam nessa luta de amor e amizade. Achando que se ficassem se escondendo um do outro, o mundo não os perceberia.

O romance nunca deixou de existir, nem mesmo quando os seus corações estavam ocupados se dedicando a outras almas. E o respeito por essas outras sempre presente. Eram pessoas do bem e compartilhavam no coração a mesma certeza de que o que viviam (com os outros) era passageiro.


DesENCONTRO.

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