terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Volta, menina....

Quase dois anos que a Menina se foi...
Há quase dois anos a Menina resolveu partir e se esconder de si...
E aqui, peço ao Universo que a abriga, para que a devolva para nós...
Volta, Menina, volta...
Vem para o mundo que lhe pertence.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

[Quem sabe um dia]

E você aí querendo saber por onde andava a Menina dos óculos vermelhos. Possivelmente por aí atrás de seu coração perdido. Antes de qualquer coisa precisaremos definir os personagens dessa história:

Fazendeira = Menina dos óculos vermelhos
Ajudante de fazenda = o coração da Menina

A História era assim: o cara (nesse caso o cara é o coração) morava sozinho numa pequena fazenda de propriedade da Fazendeira. Ele se chamava Ajudante de fazenda. Usava uma blusa xadrez, um chapéu de palha e estava sempre com uma enxada na mão. 

Para deixar a fazenda mais bonita e a Fazendeira feliz, plantava flores e vegetais orgânicos por todo espaço que encontrava livre e apropriado para o cultivo. Fazia isso por anos.

A Fazendeira achava tudo muito fofo mas nunca se demorava admirando a plantação e o imenso canteiro com as flores. Não reparava que aquelas eram as suas favoritas. O Ajudante de Fazenda com sua camisa xadrez e chapéu de palha era insistente e cada vez plantava mais flores e vegetais na esperança de que sua patroa um dia os percebesse.

A Fazendeira fazia um esforço para sorrir vendo aquilo tudo. Na verdade, ela se importava cada vez menos com aquele pedaço de terra.

Quando mais jovem deu festas loucas por lá, pouco se lixando para o estrago que alguns faziam em sua propriedade. Mas a soma de tantos estragos foi cansando a Fazendeira e ela já não curtia mais essas festas como antes.

O Ajudante estava lá para manter tudo funcionando e as flores cada vez mais perfumadas, mas o tempo foi passando, passando..... e a Fazendeira pouco se lembra do Ajudante e da fazenda que este cultivava com tanto carinho. As flores e os tais vegetais orgânicos faziam cada vez menos sentido.

E como esperado, um dia o Ajudante de Fazenda cansou e foi embora. O que adiantava cultivar flores e vegetais orgânicos se não havia uma alma se quer que pudesse tocar suas flores ou comer seus vegetais tão frescos? E se foi.

A Fazendeira no fundo sabia que um dia isso iria acontecer. Tentou sentir algo com a partida do Ajudante mas não conseguia reagir a nada. Soube agradecer pela paciência de quem um dia foi seu melhor amigo.


Essa foi a história da despedida do coração da Menina, que na verdade foi embora sem dizer adeus.

Sabia que devia se esforçar para que ele voltasse. Ela sabia.

Quem sabe um dia...






quarta-feira, 16 de março de 2016

[boa sorte]


O que ela precisa? Dar um basta em si mesma! Dizer que já deu, que já foi, que já era!
E que não adianta tentar fugir. E que de nada vai adiantar fingir que nada se passa, que nada acontece.

O que ela precisa? Ser mais lúcida, menos estúpida.

Conseguiu esconder dela, dela própria, de sua sombra, de sua consciência tudo o que acontecia até agora. E nada mais, nenhum truque vai conseguir disfarçar o que não tem mais jeito.

Em algum momento ela vacilou e deixou vir à tona. E agora tá sufocada. Tá exausta. Tá cansada desse joguinho de muitos erros.

Cansada de todo esse momento, de todo esse processo exaustivo.

Idiota. E agora é mais um ponto para a Menina velha e sozinha. Mais um ponto para a Vovó dos óculos vermelhos solitária e o seu sofá.

E a sua mente diz: respira fundo e finge que nada disso está acontecendo na sua vida! Respira e acredita que você é uma mulher assexuada e feliz!

Enfia essa cara nos contos da Disney e vá tentar conviver contigo mesma, Menina.

Boa sorte!


quinta-feira, 11 de junho de 2015

E ele por ela [?]

Talvez ela tenha feito a escolha errada. Ou talvez  tenha apenas curtido o momento e esse possa atrapalhar outros momentos melhores que desejava ter. Agora ela sabia.

Encantada. Divinamente encantada. Ele era tudo que ela desejaria ter em sua vida. Tudo. Tudo. Tudo. Tudo nele a encantava. O jeito como se vestia, a barba bem cuidada, seus cabelos levemente jogados, seu sorriso. Eram tantos predicados e só estando apaixonada para poder colecionar tantos assim. Mas sabia que estava nessa sozinha.

Ela sabia, tudo bem, não se importava. Não sabia se ele desconfia do seu repentino interesse. Tudo bem, não se importava.

Mulheres tem o dom de se iludir. A Menina e os seus óculos vermelhos mais ainda. É muito fácil para para ela optar por adivinhar o sentimento do outro e na maioria das vezes os seus achismos eram viajantes. Quer um exemplo?

Ex.1 - Uma amiga que chega dizendo que o cara tá caidinho por ela. Você acredita. Aí você conhece o cara e percebe que a sua amiga está viajando, mas não tem como contar pra ela. E assim ela vai se iludindo achando que está abalando corações e ainda fica com pena por achar que pode machucar o menino, já que ela não sente "a mesma coisa" por ele.

Ex. 2 - Uma amiga que está caidinha por um carinha e ele por ela. Mas nuuuunca no mundo isso aconteceria. O cara só a quer como amiga e tal e tal. E você não consegue fazer enxergar (nesses casos devemos dar um toque, ao contrário do outro) que o carinha tá mega afim dela e que ela pode perder o menino se ficar nessa de que ele só quer ser seu amiguinho e o que deseja são as amiguinhas dela.

A Menina estava nessa sem saber se era o exemplo 1 ou 2. Cada hora achava uma coisa diferente. Mas no final de suas indagações, a única conclusão a que chegava era de que estava curtindo demais sentir algo por ele.


E ele por ela?

quinta-feira, 5 de março de 2015

Redes

Podia não ser a melhor fase de sua vida mas andava bem nos trilhos do caminho que havia escolhido. Voltara as boas com o seu coração, permitindo que ele saltitasse como costumava fazer tempos atrás.
Sabia amar ou pelo menos estava indo na direção certa. Essa coisa de se resguardar e não se relacionar estava fora de moda.
Amava alguém com calma, sem pressa. Amava quem lhe fazia bem. O único erro que não cometeria (novamente) seria deixar-se amar por quem não lhe fizesse bem ao coração. Ela sabia (agora) que nem só de amor poderia viver. Havia o respeito, o querer bem, o "abrir mão", o saber ser ela mesma. Tanta coisa que ela ainda não conhecia. Que ela jamais tinha sabido.
Ninguém nunca tinha ensinado isso pra ela.
Afinal de contas pra que serve o ser amado se não é pra te colocar pra cima e fazer você enxergar a vida com todos os melhores olhos do mundo?
O menino que fechou o seu coração já não existia mais em seus pensamentos. Havia virado poeira...
Ela agora era entendida com um simples alô. Pela sua respiração...
Mesmo quando tentava se enganar de que estava tudo bem, o ser amado sabia a verdade. E a colocava sempre em primeiro plano. A Menina só precisava ser amada e ele tinha a receita para isso.
O relacionamento deles não era algo que o mundo precisasse conhecer. Apesar da curiosidade alheia, optaram por ser discretos. O mundo vez ou outra atrapalhava relacionamentos.
E eles não estavam nas redes sociais. As redes que frequentavam eram de pano.
E se tudo um dia não desse certo, ela teria um amigo pra sempre.
Ele a tinha achado e com certeza não abriria mão da sua menina com tanta facilidade.
Ela precisava dele.
E essa Menina estava o fazendo enxergar que o mundo vai muito além de papeis antigos....

E viveram felizes.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

It's the climb

O mundo dava sempre voltas e parava no mesmo lugar para os dois. Ou talvez nem rodasse tanto, continuasse sempre no mesmo lugar (e eles é que não percebessem). 

Isso não vinha mais ao caso.

O importante de tudo é que estavam sempre juntos, as vezes como namorados, as vezes como amantes e sempre como amigos. Esse era o grande barato desses últimos anos.

Brigavam. E como brigavam! Um queria comandar a vida do outro mais do que podiam. Como é sempre de se esperar, a Menina, naturalmente mais amadurecida,  teimava em brigar com esse menino. Seus óculos vermelhos vez ou outra soltavam fumaças. E a cada briga a jura de que “dessa vez é sério e pra sempre”. A jura durava menos de meio dia.

Uma única vez, faz mais de um ano, numa dessas incansáveis brigas por nada e pra nada, a Menina teve a certeza do quão sério tinha sido e soube que nunca mais seriam os mesmos um com o outro. Passaram mais de 12 horas sem um apito se quer no celular. O dele também não apitara. Ela não queria dar o braço a torcer, afinal nunca estava errada.

Até que em sua bolsa vibrou uma nova mensagem. As batidas doloridas e certas dentro do seu peito davam o recado. Era ele... e ele – já conhecendo a sua Menina – fingia que nada tinha acontecido, levantando a mão com uma vareta e um pedaço de pano branco encardido na ponta.

E viviam nessa luta de amor e amizade. Achando que se ficassem se escondendo um do outro, o mundo não os perceberia.

O romance nunca deixou de existir, nem mesmo quando os seus corações estavam ocupados se dedicando a outras almas. E o respeito por essas outras sempre presente. Eram pessoas do bem e compartilhavam no coração a mesma certeza de que o que viviam (com os outros) era passageiro.


DesENCONTRO.