quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A Espera

Os olhos pesados de quem não quer se render. As lágrimas presas implorando um soluço que as façam correr.
Porque? Porque, Menina, porque?
E no meio do faz-de-conta em que vivia e da tempestade que se aproximava, ela teimava. Se maltratava. As dores do amor partido não a deixavam enxergar o óbvio e o tudo mais que a esperava fora da tormenta dos seus sonhos.
Abra os olhos, Menina. Abra os olhos.
Você pode, Menina, você pode.
Assim não queria. Seu peito doía e seus pensamentos não encontravam mais nada diante de si a não ser a leve impressão dos olhos dele. Dos distantes olhos dele.
E como sempre fazia, seguia. Seguia a Menina, seguia.
Dessa vez não mais como antes. A alma colorida de outrora escondia-se em paisagens sem vida.
Abra os olhos, Menina, insistia a consciência por vezes tão amiga. Abra os olhos.
Em sua cama coberta de esperanças em um futuro próximo, ela continuaria. Até que os olhos que íam distantes parassem de ser lembranças e se tornassem reais.

Respira.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Reticências

A Menina andava por aí. Entre mortos e feridos, ainda sentia-se viva. E bem.
Pensava que se pudesse escrever como antes, talvez melhorasse a inquietação pendente. Se não resolvesse de pronto, de certo que um pouco ajudaria.
Estava nessa de não saber o que pensar e de achar que tudo que estava ao seu redor lá estava para lhe complicar a vida. Não falava de dor, falava de amor.
Uma confusão sem tamanho. E compartilhar isso com o mundo seria assinar uma declaração de "Incapacidade de gerir sentimentos". Ela não queria que o mundo soubesse de sua fraqueza.
Ela fingia esquecer. Fingia não saber. Mesmo sendo cutucada pela Menina da Cor de Ébano o tempo inteiro. A Menina dos Óculos Vermelhos escondia-se...
Depositava os seus desejos em objetos não concretos. E talvez por sê-los justamente abstratos é que fazia, insistia. Não queria misturar carência com amor. Não queria misturar necessidade do bem-amado com carência.
As suas palavras não faziam sentido. Não mais.
Reticências.




quarta-feira, 3 de julho de 2013

Despedida

A menina dos óculos vermelhos andava no meio do caminho. Aquela coisa entre o ser e o estar, sabendo que poderia ser mais se a deixassem. Ou se tivesse ousado mais...
Apaixonada? Nem tanto. Mas bastava sentir o seu cheiro para que o coração tão vermelho quanto os seus óculos, lhe subisse a garganta num pulo.
Apaixonada? Nem tanto.
Esse tempo todo por nada. Pouco tempo para tudo que ainda queria que fosse.
Ah! Essas dores de amor! Havia dores de amor por todo canto e a cada olhar conhecido que trocava.
O que fazer, menina?
Em sua última noite juntos a menina sofreu. E não conseguiu segurar essa dor, que lhe saiu transbordando pelos olhos. O menino do outro lado do mundo viu e gostou.
Em poucos dias o menino se vai. E mesmo já sabendo disso de prontidão, desde o início de tudo, ela se pega a sofrer e a chorar pela separação esperada.
Apaixonada? Nem tanto.


domingo, 14 de abril de 2013

[talvez]

Tudo sempre parecia ir bem. E de repente... puff! Não que as coisas não continuassem bem, mas era um "bem" diferente daquele que espalhava para todos. Talvez devesse espalhar menos...
Sonhava demais e viajava demais. A volta pra Terra sempre era mais dolorida. Talvez se não subisse tanto... talvez se mantivesse os seus pés mais no chão...
O chão também poderia ser divertido. Bastava tentar.
Porque o céu tinha sempre que ser o seu limite? Porque tinha a Menina que contar a pelo menos 3 dos 4 ventos, o que acontecia com o seu coração? Talvez se ficasse quieta... talvez se contasse a apenas 1...
E dessa vez ela resolveu que seria diferente. Seus óculos vermelhos já estavam cansados de repetir a mesma história.
Que tal curtir, menina? Que tal não se preocupar tanto com esse futuro que você nem sabe se existe? Que tal parar para ver que o que tem em suas mãos é o suficiente?
A Menina dos óculos vermelhos enfiava sua cara no trabalho. Dele tinha sempre resposta. Talvez se não esperasse respostas... talvez se trabalhasse menos tivesse tempo para enxergar melhor as coisas...
Existe um Menino de dreads no cabelo, cuja Melodia possui até em seu nome, que diz: [Se a gente falasse menos, talvez compreendesse mais]
Talvez, Menina. Talvez....
Compreenda mais



quarta-feira, 6 de março de 2013

Em outra Pátria

Ontem a Menina e o Menino tiveram o seu primeiro contato espontâneo. Ela gosta do jeito como ele a olha.
Semana passada tiveram o seu primeiro contato social. Pedia-lhe a boa educação que ela o fosse cumprimentar, afinal era a sua primeira vez. Ela gosta de ouvi-lo.
E agora a Menina dos óculos vermelhos espera feliz a próxima semana.
O Menino do terno escuro também.
Ela sabe, lá no fundo ela sabe.




quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

[suspiros]

A Menina dos óculos vermelhos hoje estava cantante. Saltitante. Confiante que só vendo!
Nada que parecesse tão interessante, nenhuma ideia brilhante ou algum plano mirabolante. Nada.
Seus olhos brilhavam como diamantes e seu coração pulava como pulam os corações dos amantes.
Ah...

[suspiros]


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Procura-se



Homem na faixa dos 30 anos. Letrado e focado em esportes como hobby e estilo de vida.
Alto, atlético mas nada muito grande, tudo muito bem distribuído nos seus 1,85m. O sorriso tem que ser daqueles cheio de dentes, lindo e largo. Ah! Os olhos tem que rir junto.
Não precisa ter olhos claros, mas tem que ter um olhar expressivo e sincero. Nem branco, nem preto, misturado, café com leite. Goste mais do dia que da noite. Que faça remo na Lagoa e tente me convencer de que isso também será o melhor pra mim.
Que calce 42 (acho esse n. sexy). As mãos são grandes e proporcionais ao restante do corpo. Unhas largas e bem delineadas. Branquinhas. A barba tem que ser daquela bem cerrada, que machuca a gente. O cabelo é curto pra não dar trabalho, gosto de passar a mão.
A barriga se conta nos gomos e é apenas consequência da sua disposição para os exercícios e não um resultado de uma busca narcisista.
Seu guarda roupa é basico: calça jeans e blusa branca. As havaianas também são brancas (que eu comprei pra ele). No inverno tem que vestir aquelas calças de tecido molinho, deixando o corpo mais bonito do que já é.
Goste mais de vinho do que cerveja e saiba preparar uma caipirinha deliciosa.
Seja louco pela mãe e pela irmã por parte de pai, 19 anos mais nova. Mas que não seja comandado por elas.
Importante: More sozinho e não tenha filhos (ainda).
Que tenha disposição para me pegar no trabalho e me acompanhar em visitas a Museus e Bibliotecas (afinal, esse é o meu trabalho).
Que seja engraçado! Podendo até mandar umas piadinhas sem nexo de vez em quando.
Que não fale mal dos outros e ache muito feio quem faz isso!
Pode ser espírita não-praticante, mas que me acompanhe ao Centro de vez em quando nem que seja pra tomar um passe. Que acredite.
Que tenha bom gosto pra comprar roupas pra mim.
Que me ame, não me critique. Pode até brigar comigo e não concordar, mas precisa estar junto em qualquer  que seja a minha decisão. Precisa entender que mudo de opinião a todo instante.
Não precisa falar sobre casamento. Do jeito que está, tá bom. Mas fale sobre os nossos futuros filhos e a vontade de estar junto pra sempre. Aquele sempre que dura muito.
Quem se interessar e se enquadrar, favor me ligar. À cobrar, não. O celular tem que ser de conta e a situação financeira regular, mas pode ficar pobre no final do mês como quase todo mundo.
Sem mais,
Menina



sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Há anos conhecia aquele rapaz de vista. Malhavam juntos desde que a Menina se matriculara naquela academia. O Bonito fazia o seu tipo. Alto, magro, moreno, de nariz imponente. Desse cara - que ela não conhecia o nome - ela só sabia que corria e malhava, entrava mudo e saia calado. Sempre reparou nele mas nunca lhe dera atenção, até porque o seu coração vivia ocupado. Mas agora o mesmo se encontrava guardado na gaveta...
Na última quarta-feira do ano ela olhou pra ele diferente. Pensava -"tenho que fazer esse homem saber que eu existo!". Mas não foi preciso...
Naquele dia ele a descobriu também...
Não se falaram em nenhum momento. As palavras eram trocas de olhares que lhe gelavam a alma. Como um arrepio que sobe e desce pela espinha.
Os olhares não deixavam dúvidas quanto aos quereres mútuos. E as ditas "coincidências" também não.
Saíram juntos de seus respectivos banheiros. Bonito caminhava na frente e a Menina logo atrás. Ao subir as escadas ele freou e abriu para que a Menina estivesse ao seu lado. Ela percebeu e se apressou em alcançá-lo. O coração que já não estava mais guardado na gaveta, voltou a pular como louco em seu peito.
A despedida? Um daqueles olhares de borbulhar o sangue... que dizia: "tenha um bom dia, meu amor"!
Ela agora contava nos dedos as horas que a separavam daquele lugar mágico, que nunca lhe parecera tão mágico como agora...