terça-feira, 9 de setembro de 2014

[Emília e a dona Morte]

A Menina pede desculpas por ausentar-se dessas páginas por longo espaço. Vontade e inspirações não lhe faltam para que aqui retorne, mas sobra-lhe a falta de tempo.

O texto que escolheu para reproduzir em seu blog num esperado pedido de perdão, é um diálogo entre a Emília de Lobato e o Visconde de Sabugosa, de mesmo pai.

Pedindo licença, o texto



Pica-pau
- A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. Quem pára de piscar chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos - viver é isso. É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais.

[...] A vida das gentes neste mundo, Senhor Sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia. Pisca e mama; pisca e anda; pisca e brinca; pisca e estuda; pisca e ama; pisca e cria filhos, pisca e geme os reumatismos; por fim pisca pela última vez e morre.
- E depois que morre? - perguntou o Visconde.
- Depois que morre vira hipótese. É ou não é?____________________________________________________________________________
Monteiro Lobato - excerto de memórias da Emília (1936)