sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Há anos conhecia aquele rapaz de vista. Malhavam juntos desde que a Menina se matriculara naquela academia. O Bonito fazia o seu tipo. Alto, magro, moreno, de nariz imponente. Desse cara - que ela não conhecia o nome - ela só sabia que corria e malhava, entrava mudo e saia calado. Sempre reparou nele mas nunca lhe dera atenção, até porque o seu coração vivia ocupado. Mas agora o mesmo se encontrava guardado na gaveta...
Na última quarta-feira do ano ela olhou pra ele diferente. Pensava -"tenho que fazer esse homem saber que eu existo!". Mas não foi preciso...
Naquele dia ele a descobriu também...
Não se falaram em nenhum momento. As palavras eram trocas de olhares que lhe gelavam a alma. Como um arrepio que sobe e desce pela espinha.
Os olhares não deixavam dúvidas quanto aos quereres mútuos. E as ditas "coincidências" também não.
Saíram juntos de seus respectivos banheiros. Bonito caminhava na frente e a Menina logo atrás. Ao subir as escadas ele freou e abriu para que a Menina estivesse ao seu lado. Ela percebeu e se apressou em alcançá-lo. O coração que já não estava mais guardado na gaveta, voltou a pular como louco em seu peito.
A despedida? Um daqueles olhares de borbulhar o sangue... que dizia: "tenha um bom dia, meu amor"!
Ela agora contava nos dedos as horas que a separavam daquele lugar mágico, que nunca lhe parecera tão mágico como agora...