Porque? Porque, Menina, porque?
E no meio do faz-de-conta em que vivia e da tempestade que se aproximava, ela teimava. Se maltratava. As dores do amor partido não a deixavam enxergar o óbvio e o tudo mais que a esperava fora da tormenta dos seus sonhos.
Abra os olhos, Menina. Abra os olhos.
Você pode, Menina, você pode.
Assim não queria. Seu peito doía e seus pensamentos não encontravam mais nada diante de si a não ser a leve impressão dos olhos dele. Dos distantes olhos dele.
E como sempre fazia, seguia. Seguia a Menina, seguia.
Dessa vez não mais como antes. A alma colorida de outrora escondia-se em paisagens sem vida.
Abra os olhos, Menina, insistia a consciência por vezes tão amiga. Abra os olhos.
Em sua cama coberta de esperanças em um futuro próximo, ela continuaria. Até que os olhos que íam distantes parassem de ser lembranças e se tornassem reais.
Respira.
